Especialistas apontam que deve mudar o perfil exigido tanto pelas empresas quanto pelos fornecedores de serviços


Especial cloud computing

 

Desde que o conceito de cloud computing (computação em nuvem) começou a ser discutido, há cerca de três anos, existe uma perspectiva de que a popularização desse modelo vai afetar o mercado de trabalho em TI. O motivo para isso é simples: quanto mais as empresas deixarem que recursos internos sejam gerenciados por terceiros – nesse caso, os provedores de serviços na nuvem – menos ficarão dependentes de profissionais de tecnologia para cuidar de questões operacionais. Por outro lado, esse mesmo movimento deve aumentar a demanda por pessoas com conhecimentos técnicos para trabalhar nos fornecedores de cloud.

Na prática, no entanto, essa movimentação ainda não começou a ser sentida no Brasil. “Mas é só uma questão de tempo para que os impactos fiquem evidentes”, avisa André Assef, diretor-operacional da consultoria em recursos humanos Desix. Ele ressalta, no entanto, que a mudança ocorrerá de forma gradual e que os profissionais do setor terão o tempo necessário para se ajustar às novas demandas que surgirão, tanto do lado das empresas como da indústria de TI. “Os próprios cursos precisarão ser adaptados ao setor (de cloud computing)”, pontua Assef.

Entre os cargos que serão mais afetados pela disseminação da computação em nuvem, o especialista aponta que os profissionais com perfil bastante técnico tendem a perder espaço no departamento de TI das empresas. Por outro lado, muitos deles serão absorvidos pelos fornecedores dos serviços em cloud, os quais dependerão desse tipo de conhecimento para manter seus negócios.

Além disso, o diretor da Desix enxerga que as corporações trocarão as equipes técnicas por um novo perfil de profissional de TI, que consiga utilizar os serviços na nuvem para entregar as soluções demandadas pelas diversas áreas da empresa. “Vão ser as pessoas que terão de pensar em como criar a arquitetura e fazer a integração no ambiente de cloud, entre outros”, exemplifica Assef.

Outra função que deve ganhar força nos departamentos internos de TI das companhias é o de profissionais voltados a garantir a segurança na nuvem. Maria Paula Menezes, gerente da divisão de tecnologia da consultoria em recrutamento de profissionais Robert Half, conta que já começou a perceber uma demanda por esse perfil no mercado brasileiro, em especial, no segmento de indústria e serviços.

A especialista considera que essa tendência de reforçar a equipe de segurança se justifica pelo fato de que a proteção das informações representa hoje uma das principais preocupações das empresas que contratam serviços na nuvem. Outra questão, segundo ela, que pode também ser uma nova oportunidade de trabalho gerada pelo conceito de cloud computing, é a necessidade de ter especialistas em governança.

Quanto aos requisitos para quem quer entrar ou se manter no mercado de TI, os consultores da Robert Half e da Desix são unânimes ao afirmar que os profissionais precisam estudar e entender a fundo os conceitos de cloud computing. “As pessoas devem participar de mesas redondas, eventos e todo tipo de discussão sobre esse tema”, considera Maria Paula. Para ela, essa compreensão será, cada vez mais, um diferencial no setor.

Fonte: Olhar Digital

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