Definir políticas de conduta e de conteúdo dos funcionários está fora das atribuições do gestor de tecnologia, defende especialista da Gartner.

Boa parte dos gestores de TI está ciente de que as redes sociais representam uma série de riscos para as corporações. Manchar a reputação e encarar processos judiciais decorrentes da manifestações inapropriadas por parte de funcionários e da postagem de vídeos ou imagens descabidos são alguns deles. Na relação entram ainda as pragas virtuais, o furto de identidade, e-mails do tipo phishing e o vazamento de dados confidenciais.

Como resposta a isso, uma série de especialistas defende que cabe ao departamento de TI vigiar o comportamento dos colaboradores das organizações nas redes sociais. Uma opinião contrariada pelo analista da Gartner Andrew Walls. Ele defende que os riscos das atividades nos sites colaborativos ocorrem fora dos limites da infraestrutura das companhias e envolvem questões relacionadas à liberdade de expressão.

Para Walls, é fato que as pessoas postam conteúdo não apropriado nesses ambientes. E, durante o encontro sobre Segurança e Gerenciamento de Risco 2010 da Gartner, ele ressaltou que isso evidencia um problema de segurança. “Definir políticas de conduta e de conteúdo em conversas alheias, porém, não é atribuição da gerência de TI”, diz, ao defender que essa precisa ser uma tarefa da área de recursos humanos.

Na visão do analista, quando um administrador de sistemas entra na sala da gerência de RH em uma empresa e declara que as redes sociais representam uma vulnerabilidade a ser sanada com o bloqueio aos sites, está na verdade cometendo um engano. Esse gerente de recursos humanos provavelmente mantém quatro contas de e-mail e um perfil no Facebook e deverá questionar a repúdia do “nerd de TI” aos recursos da Internet.

A questão mais relevante, porém, é a sobre a quem pertence a tarefa de definir as políticas na comunicação dos funcionários nas redes sociais. Walls responde que esse assunto merece o mesmo tratamento dispensado aos comunicados à imprensa.

“Tudo começa com a governança. Os posts em mídias sociais fazem parte das declarações públicas, pertencem ao escopo de RP (relações públicas), marketing e de RH, e não à segurança”, afirma. Walls sugere estender as regras de comunicados públicos ao ambiente das redes sociais. “Tal medida pode requerer a colaboração de um advogado, para ser formatada dentro do espectro legal”, ressalta.

Fonte: CIO.com.br / Network World-EUA

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