O escritor canadense Don Tapscott alerta as empresas para a importância de compreender a geração Y.

Don Tapscott é autor do livro “Wikinomics: como a colaboração em massa pode mudar o negócio” e outros títulos. Escreve mensalmente uma coluna para a revista INFO. Ele apresentou a palestra “A geração net e as instituições financeiras” no CIAB Febraban, evento sobre tecnologia bancária, realizado hoje e amanhã (8 e 9 de junho) no Expo Transamérica, em São Paulo.

A geração Y é aquela que nasceu na era digital, utilizando a internet e ferramentas como as redes sociais, explica o escritor. “É importante que as empresas conheçam a cultura dessa nova geração que nasceu na era digital. Hoje, essas pessoas são adultos que estão trabalhando no mercado de trabalho, são novos cidadãos e novos consumidores. Caso contrário, haverá choques”, diz.

Tapscott é otimista em relação à geração Y. “Eu acho que essa geração é mais esperta e representa uma poderosa força de mudança, para melhor. Eles passam o tempo colaborando, ao invés de serem simplesmente expectadores passivos e, por isso, tem um cérebro com habilidades diferentes. Mas sei que meu ponto de vista é minoritário”, diz.

Para o escritor, muitas pessoas têm medo de lidar com a geração Y. “É comum ouvir dizerem que eles são preguiçosos. Mas acontece que pela primeira vez, eles são autoridades. Quem tem filho adolescente sabe quem é o administrador de sistemas da casa. Há uma crise de liderança e as empresas devem perceber que essa liderança pode vir de qualquer lugar”, diz.

Redes sociais proibidas

Para renovar a indústria de serviços financeiros, Tapscott indica cinco princípios: colaboração, transparência, compartilhamento, interdependência e integridade. “Quando se fala em colaboração, estamos falando em escala astronômica: milhares de pessoas que nunca se encontraram empenhadas em um mesmo trabalho”, diz. O escritor cita o exemplo da rede de funcionários da loja de eletrônicos Best Buy, nos Estados Unidos.

Em tempos de redes sociais, a empresa está nua, alerta Tapscott. “Os consumidores examinam tudo e por isso é necessário ter transparência.” Com os funcionários, as regras antigas já não valem mais: recrutar, treinar, supervisionar e reter os talentos não é mais suficiente. “É preciso engajar, iniciar relacionamentos de mão dupla. Para a geração Y, o trabalho é sinônimo de colaboração, aprendizado e diversão.”

Proibir os funcionários de usar ferramentas de redes sociais é um erro, na visão do escritor. “Se você acha que as pessoas estão perdendo tempo no Facebook, não é culpa da tecnologia. É questão de motivá-las. Caso contrário, elas irão para outro site, como o MySpace”.

Fonte: Kátia Arima, da INFO

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